quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Novo rumo

A lua já sem luz, sol já sem calor. A rotina do dia já não faz magia, e a magia já não tem cor. Algumas amizades, com o tempo, já se vão perdendo. Os sorrisos vão ficando esquecidos neste mundo, nesta terra dorida.
Não entendo... Porque é que o mundo tem de ser ao contrário pra se perceber?! Porque é que as pessoas estão cada vez mais fracas pra entender?!
Entender a essência da vida, o brilho da liberdade, o calor das paixões e a alegria dum simples sorriso! Hoje em dia ninguém repara na pessoa que vive ao nosso lado, já não se diz "bom dia" ao porteiro, já não se cumprimentam as pessoas e dizer "Olá, está tudo bem? Tudo óptimo e contigo?". Agora a moda é dizer "está-se indo", a moda do vai-se andando e ninguém anda pra lado nenhum, na realidade, pois estamos sempre no mesmo sítio, sem qualquer um progresso!
É preciso mudar o mundo, que este está tão escuro e basta um sorriso pra haver mais um ponto luminoso no ar.
Basta querer, aprender de novo, a sorrir e a ser feliz.
Basta tentar até acertar, conseguir e vencer!
Basta caminhar, desta vez em frente, e encontrar um novo rumo a ter.
Por Catarina às 04:48 1 comentários
02 Setembro, 2009
Amar


« Amar é sorrir por nada e ficar triste sem motivos, é sentir-se só no meio da multidão, é o ciúme sem sentido, é ser feliz de verdade. »


Quando ela o conheceu ela sabia que ele era diferente, diferente dos outros, diferente do mundo. Ela não sabia bem se isso era bom se mau, não sabia o que podia falar com ele, não sabia os seus gostos, não sabia o seu cheiro, o seu toque ou o seu sabor. Sabia que o queria, como uma criança quer um brinquedo diferente e novo. Ele era mais que um brinquedo, era mais que mais uma pessoa no mundo, era mais que um rapaz, era mais que diferente. Agora ela desejava-o como seu, mas não como um brinquedo como d'antes e tentar descobrir como funcionava, e sim desejar fazer parte dele, tornar-se um só, quando juntos... Queria-o como o dia quer o Sol e como a noite quer a Lua, queria-o como o mar precisa da água salgada, como a praia precisa da areia dourada.
Ela perguntava-se, tantas e tantas vezes, se ele a desejava da maneira que ela o desejava. Ambos eram tão diferentes e diálogos não fazem a diferença, pois os gestos falavam as palavras que a boca não conseguia pronunciar... Como se os beijos, os abraços e os olhares fossem a única linguagem.
O sol já se punha e ela só queria abraçá-lo, senti-lo bem de perto, sentir o seu perfume e deixar-se aquecer pelo seu calor. Uma música de fundo, vinda do nada começou a tocar, era suave e sabia tão bem ouvi-la. Ela sabia que já se fazia tarde e que tinha de voltar pra casa, esperou até a música acabar, mas a música não acabava. Em vez de acabar voltava ao início, recomeçando a bela melodia, como se isso fosse o recomeço do abraço, o recomeço do calor, o recomeço de toda a noite mágica envolvida em amor.

by catarina

A carta

Ela olhava o rio sobre a varanda, a água brilhante, o sol radiante, a brisa leve. Para muitos era o que bastava mas ela continuava a sentir que lhe faltava algo, um pedaço seu que alguém lhe tinha roubado.
Foi ao quarto e pegou numa caneta preta e numa folha de papel que estava rasgada numa das pontas. Voltou para a varanda e sentou-se no chão, imovél, olhando para o papel. Começou por fazer um risco mas quando deu por si tinha feito um desenho de duas pessoas, abraçadas. Voltou a folha para o seu verso, que estava em branco e decidiu escrever uma carta.
« Ainda sinto um vazio cá dentro. Não sei se é a falta das tuas mãos dadas com as minhas, a falta de ouvir as tuas palavras, de sentir a tua mão no meu rosto, de me beijares a testa, de mergulhar no teu doce olhar, de ficar vidrada no teu sorriso. Não sei se é a falta das conversas sobre tudo que d'antes eram frequentes ou se é a falta dos longos momentos juntos, unidos, no nosso mundo à parte, pintado com cores nunca antes vistas. Eu não sei se é a falta de sentir o teu sabor, de receber o teu calor, de sentir o teu abraço longamente.
Eu pensava que iria ser tudo mais fácil, menos confuso.
Sei que já te magoei como ninguém mas não te esqueças que já te amei como nunca. Já foste tudo o que precisava para sorrir. A minha razão.
Sonhar, sonhámos os dois, demasiado alto.
Nunca quis acabar com todo o encanto que nos envolvia, mas tu falhaste no teste. A primeira vez que falhaste comigo. Agora sei que a culpa é minha. Eu tinha-te prometido que os testes tinham acabado mas não cumpri e o teste final foi o fim. Eu falhei muito contigo. Desculpa.
Eu não sei se sinto falta do teu amor, mas sei que tu fazes-me falta.
Desculpa pela batalha que não fui capaz de conquistar, tu que eras o príncipe do reino das cores fora da paleta*.»
Guardou a carta escrita a tinta preta, porque a saudade era maior que a coragem e nada a faria voltar atrás.

(imagem encontrada)
Catarina Gaspar

*paleta - Tábua em que o pintor dispõe e combina as tintas.
Por Catarina